Banco Central e mercado esperam inflação maior em 2016, aponta ata do Copom

Um dia depois de a inflação desacelerar e mais analistas passarem a apostar em um corte do juro, o Banco Central informou que elevou a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), tanto no cenário de referência como no de mercado. 

 

Segundo a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), a estimativa se situa acima do centro da meta para 2016. O BC não divulga qual a taxa prevista na ata, mas no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de dezembro a autoridade monetária revelou que a estimativa estava em 6,2% para o fim deste ano pelo cenário de referência. No RTI, a probabilidade estimada pela instituição de a inflação ultrapassar o limite superior da meta em 2016 subiu de 20% para 41% para esse cenário. Uma nova edição desse documento está prevista para o fim deste mês.

 

No caso em que o BC usa variáveis de mercado para desenhar seu cenário, a estimativa da autoridade monetária também aumentou, continuando acima do centro da meta. No RTI, por esses mesmos parâmetros, a previsão do BC estava em 6,3% para este ano. 

 

O documento traz o detalhamento sobre a decisão da semana passada de manter, pela quinta vez consecutiva, a taxa básica de juros em 14,25% ao ano. A decisão, pela terceira vez seguida, não foi unânime (6x2), com membros do colegiado votando pela alta imediata da Selic em 0,50 ponto porcentual. A meta é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e está em 4,5% para 2016 e 2017. Em 2017, a margem de tolerância será reduzida dos atuais 2 pontos porcentuais (pp) para cima ou para baixo para 1,5 pp.

 

No Relatório de Mercado Focus da última segunda-feira, a mediana das estimativas dos analistas para o IPCA de 2016 subiram para 7,59%.

 

A ata de hoje ressalta que o cenário de referência leva em conta um taxa de câmbio em R$ 3,95 e Selic em 14,25% ao ano. No documento anterior, o BC trabalhava com a cotação do dólar em R$ 4. Já o cenário de mercado considera estimativas para câmbio e juros de analistas de mercado às vésperas do encontro da diretoria para definir o rumo da Selic.

 

Cenário externo. A ata do Copom retirou o termo "ampliaram" ao se referir às incertezas com o cenário externo. Agora, o documento diz que as incertezas externas estão mantidas. Foi o cenário externo, com efeito desinflacionário, que fez o BC manter a taxa de juros no mesmo patamar na reunião da semana passada.

 

Como argumentos para a decisão de manter a taxa em 14,25% ao ano, a ata informa que o colegiado considera que remanescem incertezas associadas ao balanço de riscos, principalmente, quanto ao processo de recuperação dos resultados fiscais e sua composição, ao comportamento da inflação corrente e das expectativas de inflação. Ressalta que estão mantidas as incertezas em relação ao cenário externo, com destaque para a preocupação com o desempenho da economia chinesa e seus desdobramentos e com a evolução de preços no mercado de petróleo.

 

O placar da decisão ficou, pela terceira vez, em 6 votos pela manutenção da taxa, contra 2 votos que defendem uma alta de 0,5 p.p. Votaram pela elevação o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito Rural, Sidnei Marques, e o diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, Tony Volpon.

 

O grupo majoritário, que votou pela manutenção da taxa Selic em 14,25% ao ano, afirmou que incertezas internas e externas justificam continuar monitorando a evolução do cenário macroeconômico para, então, definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.

 

O grupo minoritário, segundo a ata, argumentou que seria oportuno ajustar, de imediato, as condições monetárias, de modo a reduzir os riscos de não cumprimento dos objetivos do regime de metas para a inflação, reforçar o processo de ancoragem das expectativas inflacionárias e contribuir para deter a alta das projeções de inflação. 

 

Fonte: Estadão