Nova fase da Lava Jato apura fraude em licitações para centros da Petrobras

Deflagrada nesta segunda-feira (4), a 31ª fase da Operação Lava Jato, batizada de “Abismo”, investiga a formação de cartéis para a disputa de três obras da Petrobras: uma sede administrativa em Vitória, no Espírito Santo, e os centros Integrado de Processamento de Dados (CIPD) e de Pesquisas (Cenpes), ambos no Rio.

As investigações, que foram corroboradas pelo acordo de leniência e acordos de colaboração com a empresa Carioca Engenharia e seus executivos, indicaram as fraudes nas licitações realizadas em 2007
No caso do centro de pesquisas, além da Carioca Engenharia, a OAS, a Construbase, a Construcap e a Schahin Engenharia ficaram com a obra pelo Consórcio Novo Cenpes.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a construtora WTorre, que não havia participado dos ajustes, apresentou proposta de preço inferior. As empresas, então, teriam pagado R$ 18 milhões para que a empreiteira saísse do certame, permitindo que o consórcio renegociasse o preço com a Petrobras. O contrato foi fechado em cerca de R$ 850 milhões, mas, após 17 aditivos, chegou a R$ 1,8 bilhão.

Além dos ajustes e fraude na licitação, houve pagamento de propina a funcionários da diretoria de Serviços da Petrobras e ao ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, alvo de mandado de prisão preventiva pela operação.

Foram identificados pagamentos ilícitos a diversos operadores, sendo: R$ 16 milhões ao empresário Adir Assad, condenado na Lava Jato, alvo da Operação Saqueador, investigado em CPI sobre o bicheiro Carlos Cachoeira e denunciado sob suspeita de lavagem em obra do governo de São Paulo; R$ 3 milhões para Roberto Trombeta e Rodrigo Morales, delatores na operação e ligados à empreiteira OAS; US$ 711 mil para Mario Goes, também delator; e R$ 1 milhão para Alexandre Romano, ex-vereador do PT cuja delação baseou a Operação Custo Brasil.

Os repasses somaram cerca de R$ 39 milhões entre 2007 e 2012.