Correios no Paraná: sindicatos anunciam greve; principais agências estão abertas

Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR) anunciou que os funcionários estão em greve por tempo indeterminado a partir da manhã desta segunda-feira (12). A assessoria de imprensa dos Correios no Paraná, entretanto, não confirmou a paralisação no estado.

A mobilização é nacional e atinge, principalmente, os setores de atendimento e de distribuição. De acordo com os trabalhadores, a greve é devido às mudanças propostas pela direção da estatal.

Segundo a assessoria de imprensa dos Correios no Paraná, dados do sistema eletrônico de presença indicavam no início da tarde que 93,45% do efetivo trabalhava normalmente, o que corresponde a 5.483 empregados no estado.

Conforme o secretário de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR), Ezequiel Dutra, o Paraná tem 5,8 mil funcionários. A expectativa da categoria é a de que 70% dos funcionários cruzem os braços em todo o estado.

Em Curitiba, há cerca de 2,5 mil trabalhadores nos Correios; nesta manhã, as principais agências da capital paranaense estavam abertas. Na Agência João Negrão, porém, uma das maiores Curitiba, cerca de 30 funcionários estavam do lado de fora, entre carteiros e outros funcionários.

Argumentos dos funcionários

 De acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), a paralisação foi aprovada em assembleia.

A greve, de acordo com a entidade, é em protesto contra alterações propostas pela direção dos Correios, entre elas no Plano de Cargos, Carreiras e Salários e no plano de saúde dos trabalhadores.

Segundo a Fentect, a direção da estatal quer que os funcionários passem a arcar com mensalidades do plano e quer também a retirada dos dependentes.

"Também estamos em greve pela falta de efetivo. Nos últimos anos, saíram mais de 20 mil pessoas e essas vagas não foram repostas. O último concurso foi em 2011 e isso está afetando a sociedade", explica o diretor do Sintcom-PR, Marcos Rogério Inocêncio.

"Os Correios vêm a público prestar esclarecimentos à sociedade sobre a paralisação de empregados que está ocorrendo nesta segunda-feira (12). Mesmo reconhecendo que a greve é um direito do trabalhador, a empresa entende o movimento atual como injustificado e ilegal, pois não houve descumprimento de qualquer cláusula do acordo coletivo de trabalho da categoria.

Com o objetivo de ganhar a opinião pública, as representações dos trabalhadores divulgaram uma extensa pauta de reivindicações que nada têm a ver com o verdadeiro motivo da paralisação de hoje: a mudança na forma de custeio do plano de saúde da categoria.

O movimento está relacionado, essencialmente, às discussões sobre o custeio do plano de saúde da empresa, que atualmente contempla, além dos empregados, dependentes e cônjuges, também pais e mães dos titulares. O assunto foi discutido exaustivamente com as representações dos trabalhadores desde outubro de 2016, tanto no âmbito administrativo quanto em mediação pelo Tribunal Superior do Trabalho, que apresentou proposta aceita pelos Correios mas recusada pelas representações dos trabalhadores. Após diversas tentativas de acordo sem sucesso, a empresa se viu obrigada a ingressar com pedido de julgamento no TST.

Para se ter uma ideia, hoje os custos do plano de saúde dos trabalhadores representam 10% do faturamento dos Correios, ou seja, uma despesa da ordem de R$ 1,8 bilhão ao ano.

No momento, a empresa aguarda uma decisão por parte daquele tribunal. A audiência está marcada para a tarde de hoje.

Crise financeira - Conforme amplamente divulgado pelos meios de comunicação, os Correios enfrentam uma grave crise financeira, fruto da queda expressiva do volume de correspondências, objeto de monopólio, e da falta de investimentos em novos negócios, nos últimos anos, que garantissem não só a competitividade, mas também a sustentabilidade da empresa. Estes, dentre outros fatores, vêm repercutindo nas contas dos Correios e, neste momento, um movimento dessa natureza serve apenas para agravar ainda mais a situação delicada da estatal e, consequentemente, de seus empregados.

No interior

A greve dos funcionários dos Correios não interfere no funcionamento das agências em Londrina e em Maringá, no norte; e em Paranavaí e em Umuarama, no noroeste. A paralisação prejudica as entregas e encomendas.

De acordo com o Sintcom-PR, o Centro de Entregas de Londrina parou 90% do efetivo - são feitas apenas as entregas do Sedex. O sindicato informou que cerca de 25 pessoas estão concentradas em frente ao Centro de Distribuição, na PR-445, em protesto.

Os representantes do sindicato que abrange os municípios das regiões de Foz do Iguaçu e de Cascavel, no oeste do Paraná, informaram que todas as agências dos Correios estão funcionando nesta segunda-feira.

O atendimento ao público e a entrega de encomendas, no entanto, é feita por 30% do efetivo. Para evitar transtornos maiores à população, com a previsão de greve, ainda no domingo (11), uma força-tarefa foi feita para despachar a maior parte das encomendas.

Em Guarapuava, na região central do estado, o sindicato da categoria afirma que houve 90% de adesão à greve nesta manhã na cidade.

 

Post - Andressa Pinheiro

Fonte - G1.com